Um novo ano é sempre um renovar de esperanças, projectos, desejos...
Eis o que, a este propósito, nos diz Carlos Drummond de Andrade:
RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Encontro Natalício - Leituras na Biblioteca
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Mensagem natalícia
DESAFIO
Nesta época natalícia convidamos à participação:
partilhe, neste espaço, a sua mensagem de Natal, sob a forma de um poema ou texto da sua eleição, de autor consagrado.
Para começar...
Este ano apeteceu-me semear searinhas como na minha infância.
Isto é, comprei trigo e espalhei os bagos em pires de barro
até dentro
de um búzio
reguei-os e fiquei ansiosamente a senti-los levedar.
Todas as manhãs me tenho precipitado para ver como cresceram
durante a noite
e para os borrifar com a boca como dantes fazia.
Quando eu era menina não havia árvores de Natal:
armávamos o presépio
em chão de cortiça e musgo
onde a searinhas espigavam a sua verde
verdade.
Povoar esse pequeno mundo saído de nossas mãos
com figurinhas de barro
algumas por mim moldadas
tinha um sabor
a milagre.
Sentia que o Menino Jesus nuzinho nas palhas
era sobretudo filho do pequenino ventre dos inúmeros grãos de trigo
que eu tinha visto inchar e depois lançar raízes e rebentos.
Também enfeitávamos o presépio com "cabeleiras", de sementes
de ervilhacas
mantidas no escuro para saírem brancas como a neve
essa neve que não havia no meu Sul natal.
Quando eu era menina
não havia Pai Natal:
os presentes eram postos pelo Menino Jesus
no sapatinho
que na véspera se deixava na chaminé
e cabiam
lá todos porque eram poucos e por isso mais amados.
Agora o Pai Natal é um palhaço triste
porque não faz rir
nem pertence a circo nenhum.
Agora é tudo de plástico
até a Arvore de Natal que se guarda de uns anos para os outros.
No meu computador um Pai Natal saltitão a fazer gaifonas
oferece-se para levar as Boas Festas por correio electrónico.
Agora até as Boas Festas são electrónicas!
Que saudades
do meu Menino Jesus a tiritar nas palhas
aquecido pelo bafo
do burrinho e da vaca
e do presépio da minha infância
alumiado por uma lamparina de azeite
enfeitado
com searinhas, "cabeleiras", tangerinas e laranjas!
Teresa Rita Lopes, O sul dos meus sonhos
Nesta época natalícia convidamos à participação:
partilhe, neste espaço, a sua mensagem de Natal, sob a forma de um poema ou texto da sua eleição, de autor consagrado.
Para começar...
Este ano apeteceu-me semear searinhas como na minha infância.
Isto é, comprei trigo e espalhei os bagos em pires de barro
até dentro
de um búzio
reguei-os e fiquei ansiosamente a senti-los levedar.
Todas as manhãs me tenho precipitado para ver como cresceram
durante a noite
e para os borrifar com a boca como dantes fazia.
Quando eu era menina não havia árvores de Natal:
armávamos o presépio
em chão de cortiça e musgo
onde a searinhas espigavam a sua verde
verdade.
Povoar esse pequeno mundo saído de nossas mãos
com figurinhas de barro
algumas por mim moldadas
tinha um sabor
a milagre.
Sentia que o Menino Jesus nuzinho nas palhas
era sobretudo filho do pequenino ventre dos inúmeros grãos de trigo
que eu tinha visto inchar e depois lançar raízes e rebentos.
Também enfeitávamos o presépio com "cabeleiras", de sementes
de ervilhacas
mantidas no escuro para saírem brancas como a neve
essa neve que não havia no meu Sul natal.
Quando eu era menina
não havia Pai Natal:
os presentes eram postos pelo Menino Jesus
no sapatinho
que na véspera se deixava na chaminé
e cabiam
lá todos porque eram poucos e por isso mais amados.
Agora o Pai Natal é um palhaço triste
porque não faz rir
nem pertence a circo nenhum.
Agora é tudo de plástico
até a Arvore de Natal que se guarda de uns anos para os outros.
No meu computador um Pai Natal saltitão a fazer gaifonas
oferece-se para levar as Boas Festas por correio electrónico.
Agora até as Boas Festas são electrónicas!
Que saudades
do meu Menino Jesus a tiritar nas palhas
aquecido pelo bafo
do burrinho e da vaca
e do presépio da minha infância
alumiado por uma lamparina de azeite
enfeitado
com searinhas, "cabeleiras", tangerinas e laranjas!
Teresa Rita Lopes, O sul dos meus sonhos
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Presépio Tradicional Algarvio 2009
Concurso Nacional de Leitura
A Escola vai participar na Concurso Nacional de Leitura.
Para a primeira fase do concurso, já estão disponíveis, na Biblioteca e nas páginas web da BESTC e da Escola, a lista de obras seleccionadas e o Regulamento.
Para a primeira fase do concurso, já estão disponíveis, na Biblioteca e nas páginas web da BESTC e da Escola, a lista de obras seleccionadas e o Regulamento.
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